Câmara de Vereadores aprova Moção de Aplausos à etnia polonesa pelos 150 anos de imigração no Brasil
Com o objetivo de reconhecer a importância histórica e cultural da imigração polonesa no Brasil, que em 2025 rememora 150 anos, o Poder Legislativo aprovou na Sessão Ordinária da terça-feira, 10, uma Moção de Aplausos à etnia polonesa de Frederico Westphalen. De autoria da Bancada do Progressistas, a homenagem foi assinada por todas as demais bancadas da Câmara – MDB, PDT, PL e PSDB –.
- Queremos agradecer a professora Elenice Szatkoski, que prontamente nos passou todas as informações históricas sobre a imigração polonesa. Quero salientar que essa Moção foi acolhida por todos os colegas vereadores, foi uma construção conjunta. A imigração polonesa no Brasil foi significativa e trouxe várias contribuições para o nosso país, especialmente, para a nossa região, em termos de desenvolvimento cultural, econômico e social, então, nada mais justo que esse Poder Legislativo possa, de alguma forma, valorizar a cultura desse povo, as contribuições que nos trouxeram, enfim, as pessoas que nós temos aqui em nosso município –, destacou a líder da Bancada do Progressistas, Aline Ferrari Caeran.
Moção será entregue em Sessão Solene que homenageará também as etnias alemã e italiana
Além do reconhecimento à etnia polonesa, a Casa Legislativa também realizará uma homenagem às etnias alemã e italiana, pelos seus 200 e 150 anos, respectivamente, de imigração no Rio Grande do Sul. As Moções, inclusive, foram lidas à comunidade na Sessão da terça-feira, 10, e serão votadas na próxima semana. Posteriormente, o Legislativo Municipal fará uma Sessão Solene para a entrega das Moções de Aplausos as três maiores etnias do município.
Histórico da imigração polonesa no Brasil e na região
A história dos poloneses no Brasil se inicia em 1875, porém há registros da entrada de alguns poloneses em 1870, os quais já se encontravam na Serra Gaúcha. Os motivos da imigração polonesa são os mesmos dos demais grupos étnicos que vieram para o Brasil no período do Império, ou seja, o incentivo dos governos locais em motivar os devidos grupos que estavam passando por períodos de vulnerabilidade social e até mesmo fome por estarem sem terras suficientes para produzır.
Os poloneses desembarcaram primeiramente no porto do Rio de Janeiro, conforme registros encontrados no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, sendo eles colocados em pousadas até o Estado definir as terras das quais os mesmos iriam ocupar.
Com o tempo, os poloneses passaram a ocupar áreas no Paraná, sendo Curitiba a principal capital ocupada pela imigração polonesa. Registros históricos também apontam que os imigrantes poloneses foram o povo dos quais mais retornaram para sua terra natal (Polônia) devido à falta de assistência do governo da época, por conta da localização das terras doadas (sendo de mais difícil acesso), diferentes das demais etnias que tiveram boa localização de terras e aqui permaneceram.
Os poloneses ocuparam espaços no interior do Rio Grande do Sul como, por exemplo, nas cidades de Erechim, Aurea, Getúlio Vargas, Ijuí, Guarani das Missões e Serra. Foi então, a partir de 1917, quando ocorre a ocupação do Noroeste do Estado que os imigrantes poloneses vieram para Frederico Westphalen, Seberi, Alpestre, Planalto e outros espaços que configuram a região. Em FW, os poloneses estão fixados nas Linhas Getúlio Vargas, Santos Anjos, Vila Carmo e na sede do município. Uma característica da comunidade polonesa foi o preconceito ao chegarem nos locais e a fixação das famílias serem em núcleos de poloneses em locais de difícil acesso.
O escritor Edmundo Gardolinski, na obra "Escolas da Colonização Polonesa", aborda que a organização dos núcleos poloneses no Rio Grande do Sul se estruturava em torno da escola, da igreja e do salão de festas, pois havia a necessidade da preservação da fé, do estudo e da convivência comunitária.
No que tange ao estudo, os poloneses escolhiam o mais letrado da comunidade para ensinar os demais, assim, nos registros históricos de Frederico Westphalen, como traz a historiadora Elenice Szatkoski e Celito Luft, no Livro "Frederico Westphalen Comissão de Terras e Coronelismo", o primeiro professor da Vila Barril foi o Pedro Liskoski, o qual alfabetizava crianças de todas as etnias.
Os poloneses sempre foram um povo unificado em torno do Catolicismo e isso justifica suportarem os desafios que a história impôs ao povo, inclusive, o povo polonês ajudou na construção da Catedral Santo Antônio.
Durante o Estado Novo, no Governo de Getúlio Vargas, ocorreu outro fluxo imigratório devido ao período do Nazismo e a ocupação da Polônia. Muitos poloneses e judeus-poloneses vieram para o Brasil fugindo das perseguições de Hitler, bem como, de polonesas que ao chegarem no Brasil foram exploradas e mantidas em cárceres privados, vitimadas pela exploração sexual na época.
Atualmente, os poloneses que ingressaram no Brasil, em 1875, no século XIX, deixaram descendentes que já estão em terceira, quarta, quinta e sexta gerações, os quais contribuíram para o desenvolvimento agrícola e das atividades urbanas, tais como, como comércio, metalurgia, mecânica, construção civil entre outras. Todos os poloneses da nossa cidade e região tem um profundo orgulho da trajetória dos seus antepassados, dos desafios e seguem mantendo a cultura e a história do povo polonês.